A Comissão de Defesa do Consumidor e Relações de Trabalho aprovou, na manhã desta quarta-feira (15), a realização de uma audiência pública para discutir a cobrança no estacionamento do Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, em Salvador. O sistema kiss&fly permite 10 minutos de gratuidade aos veículos parados no meio-fio para embarque e desembarque. Após esse período, é cobrada uma tarifa de R$ 18.
Segundo o autor da proposta e presidente do colegiado, deputado Júnior Muniz (PT), essa cobrança vem sendo feita pela Vinci Airports, que administra o terminal aéreo, mas ele quer saber se a prefeitura de Salvador autorizou a aplicação da tarifa, que, avalia, “prejudica os trabalhadores” de aplicativo e de táxi que operam no aeroporto.
O deputado Euclides Fernandes (PT) acrescentou que o sistema kiss&fly também prejudica passageiros idosos e pessoas com deficiência, que não teriam como se adequar ao tempo de 10 minutos para entrar ou sair dos veículos. Ele aproveitou para criticar, mais uma vez, as companhias aéreas, que vêm extinguindo rotas domésticas na Bahia.
O assunto também foi abordado por Tiago Correia (PSDB), que pediu nova audiência pública para debater a questão. Segundo ele, uma passagem aérea Salvador–Vitória da Conquista chega a custar R$ 4 mil. “Por que as companhias aéreas tratam tão mal os baianos?”, questionou.
O deputado Marcinho Oliveira (PDT) corroborou a posição de Tiago Correia e afirmou ter pago R$ 3.280 por uma passagem Salvador–Porto Seguro, valor equivalente ao de uma tarifa internacional, segundo ele. Também argumentou que o governo do Estado cumpre sua parte ao isentar as companhias do pagamento de impostos e que elas não têm prejuízo, uma vez que os voos domésticos registram ocupação mínima de 60%.
SERVIÇOS DA COELBA
Outro assunto discutido nesta quarta-feira foi a má prestação de serviços oferecidos pela Neoenergia/Coelba. O tema foi levantado, mais uma vez, pela deputada Fátima Nunes (PT), que requereu nova audiência pública para uma análise mais aprofundada do problema, que afeta a população de todo o estado.
Segundo ela, os baianos pagam caro pela energia e recebem serviços de baixa qualidade. Euclides Fernandes ratificou esse entendimento e criticou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por ter renovado a concessão da Coelba por mais 30 anos. Ele pediu que o presidente do colegiado, Júnior Muniz (PT), investigue se a renovação contou com o aval do governo do Estado e cobrou a participação da Assembleia Legislativa na decisão da Aneel. “Não ouvir o Legislativo é um desrespeito à Bahia”, pontuou.
O colegiado ainda analisou uma indicação do deputado Roberto Carlos (PV) ao governo do Estado, na qual pede que seja mantida a mesma tarifa do ferry-boat em todos os dias da semana. Segundo ele, a Internacional Travessias, que opera as embarcações, cobra tarifa diferenciada aos finais de semana e feriados, o que não se justificaria pela lógica de oferta e procura. Roberto Carlos criticou a prática e informou que solicitou ao governador Jerônimo Rodrigues a manutenção do mesmo preço ao longo de toda a semana.
Reportagem: Nice Melo
Edição: Divo Araújo
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA