O encarecimento do crédito e a maior seletividade das instituições financeiras estão impulsionando o mercado de operações estruturadas no agronegócio, intermediadas por empresas especializadas. A Cédula de Produto Rural (CPR) consolidou-se como o principal instrumento dessa modalidade, sendo adaptada para contratos de maior porte (superando R$ 20 milhões) e com prazos de até cinco anos.
As principais diretrizes desse cenário incluem:
- Estruturação customizada: Diante de juros elevados (com custo médio em torno de CDI + 2% a.a.), as operações deixaram de focar apenas em balanços financeiros. A análise agora abrange garantias reais (imóveis, máquinas, produção), histórico de barter, relações do grupo econômico e conhecimento prático do produtor no campo.
- Foco em hortifrúti e margens altas: A alta taxa de juros (que pode levar o custo total do crédito próximo de 17% a.a.) pressiona a rentabilidade. Por isso, as estruturadoras têm direcionado recursos para culturas de alto capital empregado e maior margem (como batata, cebola e alho) em detrimento de grãos, cujas margens são mais apertadas.
- CPR versus CRA: A CPR é preferida por sua flexibilidade e menores custos de emissão em operações recorrentes e de médio porte. Títulos do mercado de capitais, como o CRA, continuam restritos a grandes empresas devido aos altos custos de estruturação.
- Papel do intermediário: Empresas de estruturação não utilizam capital próprio, mas preparam as garantias e reduzem a assimetria de informação para atrair bancos dispostos a assumir o risco (caso do Santander, que hoje concentra 90% das operações da Agrocrédito São Pedro).