Empresário ligado à cúpula do União Brasil volta ao centro da Operação Overclean, que investiga desvios e fraudes em contratos públicos; caso aumenta pressão sobre aliados do ex-prefeito de Salvador
O indiciamento de José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, pela Polícia Federal, acende um novo alerta no grupo político de ACM Neto. Ele está entre os 25 empresários e agentes públicos indiciados no âmbito da Operação Overclean, que investiga suspeitas de corrupção, fraude em licitações, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, a organização investigada teria movimentado R$ 1,4 bilhão em contratos fraudulentos e obras superfaturadas.
Investigação da Polícia Federal já indicou que o empresário tinha em ACM Neto um elo para destravar negócios do grupo empresarial, feitos por meio de desvios de emendas. Moura não é um nome qualquer no círculo político do ex-prefeito de Salvador: o empresário integrava o diretório nacional do União Brasil e chegou à estrutura da legenda por indicação de Neto, segundo reportagens publicadas à época da deflagração da operação.
O novo capítulo da Overclean ganha peso político porque a investigação apura, entre outras frentes, suspeitas de fraudes em contratos de limpeza urbana. A PF afirma que empresas do esquema teriam pago propina para obter contratos com prefeituras e, posteriormente, desviado recursos. O avanço do caso volta a colocar sob os holofotes o setor de coleta de lixo de Salvador, que já vinha sendo tratado com preocupação dentro do próprio União Brasil.
O consórcio do qual a empresa de Marcos Moura faz parte foi agraciado com o serviço de coleta de lixo da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) em 2018, durante a gestão de ACM Neto, e manteve contrato com a Prefeitura sob comando de Bruno Reis.
Crédito: Brenno Carvalho