O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) o indeferimento do registro de candidatura de Kléber Cristian Escolano de Almeida, o Binho Galinha, filiado ao Avante. Nas alegações finais apresentadas no processo, a Procuradoria Regional Eleitoral afirma que elementos reunidos em ações penais indicam que ele teria liderado uma organização criminosa com características de milícia armada.
O pedido foi assinado pelo procurador regional eleitoral Cláudio Gusmão e tem como base investigações da Polícia Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público da Bahia. As apurações deram origem às operações El Patrón, Hybris e Estado Anômico.
Segundo o documento, Binho Galinha é acusado de comandar um grupo com atuação em Feira de Santana e cidades vizinhas, envolvido, conforme as denúncias, com exploração do jogo do bicho, agiotagem, extorsão, receptação de cargas e lavagem de dinheiro. A Procuradoria também cita a existência de um núcleo armado, que, de acordo com as investigações, seria formado por policiais militares e atuaria na segurança do grupo e em cobranças mediante ameaças.
A manifestação destaca ainda uma condenação em ação penal relacionada a armas apreendidas em imóveis vinculados ao deputado. Conforme o texto, ele foi condenado pelos crimes de posse irregular e posse de arma de fogo de uso restrito, incluindo armamentos com numeração adulterada ou suprimida. As penas somaram 10 anos e seis meses de detenção e 26 anos e três meses de reclusão, em regime inicial fechado. O documento não informa se há recursos pendentes nesse processo.
Para o MP Eleitoral, o caso se enquadra em entendimento firmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo o qual a vedação constitucional ao uso de organizações paramilitares por partidos pode impedir candidaturas ligadas a grupos criminosos dessa natureza, mesmo sem condenação criminal definitiva.
A Procuradoria ressaltou que a discussão no TRE-BA não busca antecipar uma responsabilização penal, mas avaliar se os elementos reunidos comprometem a regularidade da candidatura. Ao final, o órgão pediu que a impugnação seja julgada procedente e que o registro de Binho Galinha seja negado.
Mesmo preso preventivamente, Binho Galinha mantém a campanha eleitoral ativa nas redes sociais. Perfis ligados ao deputado têm divulgado agendas e convocado apoiadores para caminhadas. Uma delas está marcada para esta quinta-feira (3), em Feira de Santana, e foi anunciada como mobilização da “equipe do BG”.
Foto: Agência ALBA