Bahia Brasil
segunda-feira 19 de janeiro de 2026

“Não existe chapa puro-sangue”, diz presidente do PT-BA sobre articulação para 2026 no estado

Por Morgana Montalvão

Eleito com mais de 73% dos dos votos no Processo de Eleição Direta (PED), para o mandato  2025-2029, Tássio Brito é o atual presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia.

Com uma trajetória forjada na articulação política e na coordenação de movimentos sociais, Brito lidera hoje o diretório estadual da legenda em um de seus territórios mais estratégicos para o PT no Brasil.

Ele conversou com exclusividade com a reportagem do Bahia Municípios e abordou temas centrais para o cenário político baiano: desde a montagem da chapa majoritária para as próximas eleições e a relação com aliados como o senador Ângelo Coronel, até os desafios da segurança pública, o impacto de grandes obras como a Ponte Salvador-Itaparica e as expectativas para a vinda do presidente Lula ao estado.

Bahia Municípios: Tássio, muito se especula nos bastidores sobre a possibilidade de uma “chapa puro-sangue” do PT para as próximas eleições. Há algo definido nesse sentido e como o senador Ângelo Coronel se encaixa nesse arranjo político?

Tássio Brito: Olha, eu disse ontem lá na Lavagem do Bonfim e tenho repetido: não tem chapa puro sangue. A chapa é formada por diversos partidos.  Na última, se eu não me engano, foram dez partidos. E para as pessoas estarem compondo os espaços na chapa majoritária, elas têm que ser aprovadas por todos os partidos. Então, portanto, não é uma questão de ter chapa puro sangue ou não, é uma questão de ter nomes que possam ser aprovados pelo conjunto de partidos aliados para encabeçar as posições da chapa majoritária. E, desse ponto de vista, os partidos apresentam à coalizão os nomes que eles acham que devem compor. O PT está apresentando à coalizão nomes que a gente acha que são importantes para dar força política para que a gente ganhe a eleição. Naturalmente, todos os partidos também podem apontar nomes e, a partir daí, têm sido feito diversos diálogos com os partidos para que a gente chegue a um entendimento e que a gente ‘bata o martelo’ nessa chapa; que seja a chapa que tenha capacidade política de ganhar a eleição, mas também capacidade política de manter esse projeto em curso, fazendo com que todos os partidos que compõem a nossa aliança também sigam crescendo, como sempre foi desde 2006, quando nós ganhamos com Jaques Wagner.

Bahia Municípios: Mas nos bastidores, discute-se que o senador Ângelo Coronel (PSD) pode ser suplente do senador Jaques Wagner. Isso está em jogo também? É algo que está sendo discutido ou é só uma falácia?

TB: Não, diversos arranjos vão ser colocados para as pessoas que estão com nomes postos. Pode ser suplência, pode ser vice, pode ser… O que eu insisto é que esse debate está em construção, está sendo feito com os partidos. Não tem nada posto, não tem nada colocado, até porque o PSD e o senador Ângelo Coronel também têm legitimidade de apresentar o nome para a chapa de Senado. Então, da mesma forma que o PT apresenta, o PSD apresenta. Nós estamos debatendo e tentando convencer o outro de qual é a melhor forma. Eu acho que nós temos avançado do ponto de vista de estabelecer a mesa de diálogo e as conversas. O governador teve uma boa conversa com o deputado Diogo Coronel. É isso, é um processo de construção aqui na política. Às vezes as pessoas se agoniam muito e a imprensa também quer saber. É um processo de construção, é um processo de diálogo e nós queremos fazer de forma que ninguém saia. Então, tem que ter paciência, calma e tranquilidade. Acho que essa coalizão, que já tem algum tempo governando a Bahia, adquiriu uma maturidade suficiente para fazer esses debates. Não é a primeira vez que a gente faz um debate sobre vaga de Senado e nós vamos conseguir, sem nenhuma dúvida, manter o grupo unido e ter uma chapa forte para disputar a eleição.

Bahia Municípios: Qual a posição oficial do PT Bahia sobre a indicação do ministro Rui Costa para uma das vagas ao Senado? O partido considera essa movimentação coerente, mesmo diante das críticas sobre ele precisar renunciar ao ministério para concorrer?

TB: Não, o ministro Rui Costa é uma indicação do PT Bahia. Nós decidimos no nosso encontro estadual no ano passado que nós íamos indicar para a coalizão dos partidos aliados o nome do ministro Rui Costa como um nome para compor a chapa do Senado. Porque é um ex-governador com altos níveis de aprovação, com muito serviço prestado, com muita força política e com muita identidade com o povo baiano. Foi pensando nisso que o PT tomou a decisão de apresentar o nome do ex-governador Rui Costa. Mas eu insisto: nós tomamos a decisão de apresentar o nome do ex-governador. Agora o debate sai do fórum do PT e entra no fórum da coalizão; e a coalizão está nos seus fóruns fazendo o debate para saber se acata ou não essa indicação do PT. para que o ministro Rui Costa, ocupe ou não a vaga ao Senado.

Bahia Municípios: No tema da segurança pública, após duas décadas de gestões petistas, há um embate de narrativas: o governo destaca investimentos bélicos, enquanto a oposição aponta o crescimento da violência. Qual o balanço que você faz desse cenário e o que o governador Jerônimo Rodrigues planeja para reverter esses índices?

TB: Olha, o problema da segurança pública é um problema muito grave, é um problema nacionalizado, eu digo até internacionalizado. Se você pegar todos os índices de violência pública e de segurança pública do governador Jerônimo, todos têm tido redução ano após ano. Roubo de carro, furto de carro, homicídio, latrocínio… todos eles têm reduzido. Agora, nós enfrentamos um processo político e é engraçado porque a direita fica querendo – e eu acho que isso é lamentável – fazer política com base na desgraça dos outros. Acontece uma morte, acontece uma tragédia, e aí você tenta capitalizar através disso para ter voto em cima da desgraça das pessoas. Porque, veja bem, muito se fala que aqui na Bahia tem um conflito de facções, Comando Vermelho, PCC, não sei o quê. Eu pergunto à direita: quem é que administra São Paulo há 30 anos, 40 anos? O PT nunca administrou São Paulo. O PCC surgiu, se criou, se fortaleceu e se expandiu para o Brasil a partir de São Paulo, da política de segurança pública de São Paulo. Nós só governamos o Rio de Janeiro por um curto período com Benedita da Silva. Aonde que surgiu o Comando Vermelho? E de onde que ele se fortaleceu? Onde é a base e o centro nervoso do PCC e do Comando Vermelho? Onde é que os chefões estão? É na Bahia? Não é na Bahia. A Bahia está sofrendo, na verdade, como diversos outros estados estão sofrendo, o reflexo do crescimento desordenado dessas estruturas criminosas a partir de estados governados pela direita.

Agora, seria muito fácil para mim dizer que a culpa é simplesmente do governo de São Paulo ou do governo do Rio. A segurança pública é um problema que nós temos que enfrentar a partir de diversas frentes. Veja, a Bahia, por exemplo, tem mais de 900 km de litoral. A Bahia tem fronteira com nove estados do Brasil. Naturalmente é um caminho de passagem muito importante para o tráfico de drogas. E nós precisamos estar coordenados nacionalmente com isso. Aí o governo Lula manda a PEC da Segurança Pública para fazer com que a União possa coordenar a segurança pública nacionalmente, e quem é que fica contra a PEC? Os governadores de direita dos estados onde essas facções criminosas têm a sede. A sede do PCC, São Paulo; a sede do Comando Vermelho, Rio de Janeiro. Os dois governadores contra a PEC da Segurança Pública para a gente poder, a partir do governo federal, controlar e coibir essa ação criminosa em todo o território nacional, inclusive nos estados onde eles nasceram e onde têm muita força. Então, é uma questão que para nós do PT é muito complexa. A gente vê o esforço que o governador Jerônimo faz. Eu insisto: todos os índices no governo Jerônimo caíram. Você pode pegar um por um.

Agora, a segurança pública também tem um outro viés que o governo Jerônimo também enfrenta. Quando você decide construir 700 escolas de tempo integral no padrão que o governador constrói – que em muitos lugares nem escola particular tem – e decide abrir as escolas nas férias e no contraturno para aqueles que não são de tempo integral… ou seja, é você colocar equipamentos de lazer e cultura para que a nossa juventude tenha acesso e que a gente possa disputar a mente da nossa juventude com essas organizações criminosas. E isso o nosso governo tem feito. Não é fácil um governador tomar uma decisão de gastar 12 bilhões de reais para construir escolas. Sabe por quê? Porque tem gente que torce o nariz. Quando diz que vai gastar 12 bilhões para construir escola naquele padrão, o filho da empregada doméstica, o filho do pedreiro, essa turma fica feliz; mas tem gente que acha que é gasto, que acha desnecessário, que não queria que fosse feito isso, que queria que o dinheiro do Estado servisse apenas para potencializar lucro de grandes corporações. Então, é uma decisão política de força que o governador toma quando diz: “Não, eu vou construir”. O debate da segurança pública é complexo e deve ser feito de forma complexa, olhando as várias áreas que se interligam. Acho que simplificar é um erro e acho lamentável ver figuras políticas torcendo para que alguém morra para poder ir para o Instagram dizer que alguém morreu, para ver se consegue ganhar voto a partir disso.

O governador Jerônimo Rodrigues e o presidente estadual da legenda Tássio Brito Foto: PT Bahia

Bahia Municípios: No caso, você acabou de criticar a direita. Já é sabido que ACM Neto, reiteradamente, no Instagram, critica o governo do PT. Na sua opinião e do partido, como vocês o enxergam? Ele é considerado um forte adversário?

TB: ACM Neto é um forte adversário. Repare, as eleições sempre são difíceis. A gente não pode nunca ter “salto alto”. A gente não pode nunca achar que está tudo resolvido. Uma coisa é identificar, como nós identificamos, que o governo que a gente tem feito ao longo desses últimos três anos com o governador Jerônimo nos credencia a debater com a população e nos dá muita esperança de que vamos ganhar a eleição. Porque é um governo que entregou dezenas de hospitais, centenas de escolas, pavimentação, investimento na agricultura familiar… são mais de 250 mercados municipais sendo feitos agora no governo de Jerônimo Rodrigues. Para quem é da capital, isso talvez não tenha muita aderência, mas para quem é do interior, o mercado municipal é uma coisa central na cidade. Então, é um governo que tem feito muitas coisas e isso nos deixa confortáveis para dizer: “Olha, no momento da eleição, nós vamos ter muito o que mostrar”. E nós confiamos também no discernimento do povo baiano. Não é à toa que o povo baiano dá a votação que dá a Lula. É porque o povo baiano sabe discernir. Agora, por que o povo baiano vai votar contra um projeto que o enxerga, para apostar num projeto que nunca o enxergou? Os quatro anos do ex-presidente Bolsonaro foram a maior prova disso, de que o nosso estado foi perseguido.

Então, uma coisa é a gente ter esse otimismo de que estamos fazendo um bom governo e de que o nosso povo tem muita consciência política. Outra coisa é achar que a eleição já está ganha. ACM Neto é de um grupo político capilarizado; um grupo que, embora há muito tempo fora do governo, tem lideranças políticas – o Carlismo, enfim. Nós vamos trabalhar para enfrentar e temos a convicção de que vamos derrotar. Agora, você não pode nunca tratar a eleição como ganha. Tem duas formas de você perder a eleição: uma é achar que já ganhou, outra é achar que já perdeu, porque nas duas você para de trabalhar. Temos que saber que estamos bem. O governador Jerônimo, em todas as pesquisas, nunca teve o governo que não fosse mais aprovado do que reprovado. Isso nos credencia a apresentá-lo como candidato à reeleição e saber que a gente vai ter muita força política. Agora, a gente respeita o adversário, respeita a força política dele. Eleição é assim: você tem que ir trabalhando os pontos fortes que você tem, mas sempre respeitando que do outro lado tem gente trabalhando também.

Bahia Municípios: O PT historicamente levanta as bandeiras da diversidade. Na prática, como o partido pretende apoiar candidaturas de negros e da comunidade LGBTQIAPN+ nas próximas eleições em termos de financiamento e tempo de propaganda?

TB: O PT já tem uma política nacional de incentivo e apoio às candidaturas do que a gente chama de “setoriais”: candidaturas LGBT, de povos indígenas, da juventude e do povo negro. Isso já funciona no PT ao longo das últimas eleições e vai continuar funcionando. Nós achamos que para a representação do povo estar completa no Legislativo, nós temos que ter todo mundo lá. Não adianta – a gente sempre fala – a bancada ruralista ter 200 deputados e a bancada da agricultura familiar ter 12 ou 15. Isso nem reflete o tamanho da população da agricultura familiar em relação ao agronegócio e causa uma distorção muito grande nas prioridades do Congresso. A bancada negra na Câmara é muito pequena em relação à população negra na sociedade. Lógico que, quando você vai ter um debate que tem a ver com a população negra, isso causa uma distorção. Então nós vamos continuar com as nossas políticas de incentivo para jovens, para mulheres, para quilombolas e indígenas, como temos feito. Vamos seguir nesse mesmo padrão.

Bahia Municípios: Sobre o crescimento do PIB no estado da Bahia, isso é falado como uma vitrine pelo governo. Na visão do PT, essa riqueza está sendo de fato distribuída pelos 417 municípios ou ainda há uma concentração excessiva de recursos na capital?

TB: A diferença de um governo como o nosso para um governo que não pensa no povo é que eles pegam o crescimento do PIB e o canalizam todo para a concentração de uma elite financeira. Quando o governador Jerônimo pega o resultado do PIB e joga no orçamento para construir 600 escolas de tempo integral no interior, isso é você dividir com o estado inteiro o crescimento. Quando ele toma a decisão de investir na agricultura familiar em todos os cantos, significa que o governador está pegando esse crescimento – é importante frisar quea Bahia é um estado que cresce – e dividindo essa riqueza, até porque ela não é produzida só na capital. Crescimento do PIB é sinônimo de governo que acerta na sua política econômica. Agora, o que diferencia cada governo é a divisão do que você vai fazer com esse recurso. Os nossos governos têm por característica dividir os recursos do crescimento com a população no geral e não concentrar em políticas voltadas para  a elite ,um pequeno setor da sociedade.

Bahia Municípios:  Em relação à Ponte Salvador-Itaparica, muitos cidadãos ainda a veem apenas como uma promessa de papel. Qual a sua posição em relação a isso? Sobre a criação da Seponte, houve críticas na imprensa dizendo que é um gasto de dinheiro desnecessário. O que você tem a dizer?

TB: Eu tenho a dizer que o governador Jerônimo tem se caracterizado como um governador que coloca as coisas para andar e que se desafia. A ponte é um projeto extremamente complexo e ao longo desse período enfrentou diversas turbulências. Eles falam que a ponte não andou, mas esquecem que deram um golpe na presidenta Dilma. Quando você dá um golpe numa presidenta no meio de um mandato, isso causa um desequilíbrio econômico e social  no país, que atrapalha obras como essa. Ou eles vão esquecer os “esqueletos” que ficaram por aí das creches do programa que Dilma fez? Foi o presidente Lula que retomou agora a construção dessas creches. A mesma coisa acontece com a ponte. Tivemos esse rompimento institucional, depois a pandemia, e depois um governo federal que não conseguia estabelecer relações políticas com países estrangeiros. Pegaram nossa relação bilateral com a China e jogaram no “15º subsolo”. Tudo isso atrapalha a construção da ponte. Agora que retomamos um nível de estabilidade política e econômica no Brasil, com o presidente Lula e com o governador Jerônimo na Bahia, a ponte saiu do papel. Eu não tenho nenhuma dúvida de que nós vamos ter, neste ano, já canteiro de obra e gente trabalhando. Jerônimo é um governador “tocador de obra”. Quem passa no Subúrbio e olha o VLT, aquilo ali são 5 bilhões de investimento. Quem diria que Salvador ia ter um VLT naquela qualidade e velocidade que está sendo construído? O VLT traz macrodrenagem, urbanização, equipamentos para a população… com a ponte não é diferente. A direita devia fazer um “mea culpa” e entender que diversos projetos no Brasil ficaram paralisados pela irresponsabilidade deles ao fazer um rompimento institucional como fizeram com o golpe da presidenta Dilma.

Bahia Municípios: E sobre os empréstimos que o governador tem pego? O que o partido tem a dizer sobre isso, principalmente sobre as críticas do jornal Correio*, que é um veículo antagonista ao governo?

TB: Olha, só toma empréstimo quem é bom pagador. Qualquer cidadão que chegar numa instituição bancária hoje com “nome sujo” ou fama de mau pagador, não toma empréstimo. Sabe por que o governo da Bahia toma empréstimo? Porque o governo da Bahia tem uma das melhores gestões fiscais do Brasil há anos. O nosso governo tem dívidas muito inferiores às de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Só toma empréstimo aquele que é reconhecido como um bom administrador. Eu acho que a oposição tinha que, na verdade, elogiar. ACM Neto tinha que ir lá no Instagram dele e dizer: “Meu Deus, como é que pode um governo conseguir tomar tanto empréstimo assim?”. Porque, para tomar tanto empréstimo, só com uma gestão econômica muito bem feita. Alguém acha que banco vai correr risco de tomar calote? De emprestar para quem não tem condição de pagar?  Se qualquer um de nós chegar no banco e pedir 15 milhões, o banco vai emprestar? Não vai, porque não temos capacidade de pagar.  Tá nítido. Agora, um governo bem estruturado, com suas contas em dia e taxas de investimento altas, consegue. Veja, a Bahia foi o estado que mais investiu no Brasil no ano passado; mais do que São Paulo, que tem um PIB 30 vezes maior. É isso que eles [a direita] deviam reconhecer A gente toma empréstimo para fazer mais investimento para as pessoas e para melhorar a qualidade da nossa dívida. Às vezes você está pagando um juro maior em uma operação e surge um empréstimo com taxa menor; é natural de estados que têm competência de gestão econômica.

Bahia Municípios: Eu estava lendo no site do PT, sobre o aniversário do partido e sobre a vinda do presidente Lula à Bahia. Você poderia falar um pouco mais?

TB: Essa é uma atividade muito legal que a gente está construindo junto com o PT Nacional. Para nós da Bahia é uma honra muito grande receber aqui o presidente Lula, porque ele é o nosso símbolo, a nossa maior identidade. Estamos em processo de organização, mas vamos receber o presidente Lula, ministros, deputados e senadores, toda a nossa direção partidária para fazer debates e também uma grande festa para comemorar o aniversário desse partido que muito nos orgulha. É o maior partido do Brasil e o preferido dos baianos. Nada mais justo do que comemorar aqui. Eu tenho dito: é também uma homenagem da Bahia ao presidente Lula, porque ele mudou completamente a história deste estado. A Bahia antes de Lula era uma, depois é outra. E é isso que dói na oposição, eels não gostam de lembrar disso. Quando o Antônio Carlos Magalhães dirigia este estado, ou o Paulo Souto, essa turma… eles estão indo para Irecê agora falar de seca…Eles são tão retrógrados que nem o povo fala mais de seca; hoje o debate é de convivência com o semiárido. Nós fizemos milhares de cisternas de consumo e de produção. Demos condição ao povo do campo, de conviver com as adversidades do semiárido. Quando eles governavam, as cidades vizinhas tinham cemitérios específicos para crianças que morriam de fome antes de completar um ano, os chamados “cemitérios de anjinhos”.

Era essa Bahia que existia aqui. Uma Bahia que nunca foi olhada do ponto de vista da educação – a gente só tinha uma universidade federal. O nosso povo sequer tinha certidão de nascimento. Quando o Lula entrou, um dos principais programas foi para registrar as pessoas. Porque eles não enxergavam as pessoas sequer para dar uma certidão de nascimento. Imagine ter crédito, imagine ter conta em banco, imagine entrar na universidade, não tinha. Foi o Lula que trouxe cinco, seis, sete universidades para a Bahia, criou o Bolsa Família e tirou as pessoas da fome, que construir diversas sisternas. Esse cara revolucionou a Bahia e nós temos que homenageá-lo. É uma tristeza para mim saber que tem uma liderança política no meu estado, como o ACM Neto, que é o maior político anti-Lula que a Bahia já viu. Desde quando ele dizia que ia dar uma “surra” no Lula até agora, quando disse em Porto Seguro que vota em qualquer pessoa para tirar o Lula. Aí eu pergunto ao baiano: vai tirar o Lula para quê? Interessa a quem tirar esse presidente que faz tanto por nós? É por isso que o povo baiano não vota lá.

Bahia Municípios: Por fim, sobre a eleição presidencial: como você enxerga a disputa entre o presidente Lula e o possível candidato do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro?

TB: Eu tenho dito que essa disputa é muito importante para o mundo inteiro, não só para o Brasil. O Brasil é uma das dez maiores economias do mundo e tem um papel fundamental na geopolítica global. A extrema-direita cresceu ao longo da última década no mundo inteiro, e o presidente Lula, PT e os aprtidos que são nossos aliados, são enxergados como um “dique de contenção” desse avanço. Ganhar a eleição no Brasil significa colocar um limite para a extrema-direita mundial, que é perversa. O que é a extrema-direita? É um presidente da República que, enquanto morreram 700 mil pessoas – apesar de eu não ter esse dado- deve ser que talvez, se internaram 2 milhões de pessoas. Umas saíram vivas, outras não. Aí com esse tanto de gente internada, o presidente vai lá e fica imitando as pessoas com falta de ar, fazendo graça, debochando da vida das pessoas.

Extrema-direita é um governo como o atual governo de Israel – e é importante dizer que não falamos do povo ou do Estado de Israel, mas do governo de extrema-direita de lá – que tem a capacidade de jogar um míssil em uma fila de crianças e mulheres desnutridas esperando comida e matá-los. Isso é o que a extrema-direita faz, e o Brasil hoje é a principal democracia do mundo que enfrenta esses valores. Na eleição de Lula, o que está em jogo é a humanidade contra a barbárie. Eu tenho muita confiança políticaque o povo brasileiro não vai “topar” a barbárie. Nós vamos seguir no caminho do desenvolvimento, da inclusão e da convivência com o diferente que o presidente Lula tem tocado ao longo de toda a sua vida, especialmente, nesse último mandato dele.

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