Bahia Brasil
terça-feira 29 de setembro de 2026

Salvador supera marca de 15 mil mudas plantadas em 2026

Fotos: Bruno Concha e Otávio Santos / Secom PMS
Reportagem: Camila Vieira / Secom PMS

Salvador ultrapassou a marca de 15 mil mudas plantadas em 2026 e já superou o resultado alcançado durante todo o ano passado, quando a meta anual era de 10 mil. Entre janeiro e setembro deste ano, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), contabilizou 15.802 exemplares distribuídos por diferentes pontos da cidade. Desse total, 4.338 foram plantados somente em setembro. 

Entre as atividades do mês, está mais uma ação do programa Plante no Passeio, que levou quatro quaresmeiras à Rua Gonçalves Ledo, na Liberdade, nesta terça-feira (29).

O resultado reflete o fortalecimento das políticas voltadas à ampliação da cobertura vegetal, conservação dos ecossistemas e preparação do município para os efeitos das mudanças climáticas. O trabalho reúne ainda a criação de parques, a implantação de uma microfloresta, a expansão dos viveiros de restinga e do projeto Corredor Verde.

“Setembro foi um mês de muitas entregas e avanços nas áreas de sustentabilidade e resiliência, principalmente na arborização urbana. Foram diversas intervenções para tornar Salvador cada vez mais verde, melhorar o clima e proporcionar mais qualidade de vida à população”, afirma o titular da Secis, Ivan Euler. As 4.338 mudas inseridas na paisagem urbana em setembro representam mais de 27% do acumulado no ano.

Na Rua Gonçalves Ledo, o Plante no Passeio atende a uma solicitação feita pelos próprios moradores. Um dos responsáveis pelo pedido foi o multiartista, ator e roteirista Rívisson Zurc. Para ele, a chegada das árvores vai melhorar a qualidade de vida da comunidade. 

“O programa tem uma intenção muito importante, que é levar o verde para comunidades onde muitas vezes ele não está presente. Nem sempre bairros populares e periféricos têm acesso a árvores e áreas verdes. Sabemos o quanto uma árvore melhora a qualidade de vida, oferece sombra, contribui para a respiração e deixa a rua mais agradável”, afirma o morador.

Segundo Rívisson, a medida também pode estimular moradores de outras regiões a solicitar o serviço. “Esse plantio começa a despertar na comunidade a percepção de que todos podem ter acesso a árvores e plantas. Além de melhorar a qualidade de vida, deixa o local visualmente mais atraente. O programa democratiza a possibilidade de tornar mais verdes os bairros populares e as áreas socialmente vulneráveis”, acrescenta. 

O pedido foi feito pela internet, por meio do portal Salvador Digital. De acordo com o morador, o procedimento foi simples e a equipe técnica compareceu ao endereço cerca de 20 dias depois da solicitação, para avaliar as condições da rua.

O diretor do Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (Savam) da Secis, João Resch, explica que inicialmente estava previsto o plantio de apenas duas mudas, mas a quantidade foi ampliada devido ao envolvimento da vizinhança. “Eram dois plantios e conseguimos avançar para quatro por um pedido dos próprios moradores. A adesão da comunidade mostra a importância da arborização, especialmente porque, ao longo dos anos, muitas ruas perderam parte da vegetação”, afirma Resch. 

Parques – Em setembro, a Prefeitura anunciou também a criação do Parque Municipal do Manguezal do Rio Passa Vaca e do Parque de Mussurunga, dentro do programa Parques pelo Clima. Juntos, os dois espaços somam mais de 320 mil m² e representaram R$ 83 milhões investidos pela gestão municipal em desapropriações. 

O Parque Municipal do Manguezal do Rio Passa Vaca vai proteger cerca de 19 mil m² da última área remanescente desse ecossistema na orla atlântica de Salvador. Foram aplicados R$ 31 milhões na desapropriação. Já o Parque de Mussurunga terá aproximadamente 304 mil m² após a incorporação dos terrenos, com aporte de R$ 52 milhões.

“Esses dois novos parques reforçam a preservação e a infraestrutura verde de Salvador. O Parque do Manguezal do Rio Passa Vaca é voltado à proteção do último remanescente de manguezal da orla, enquanto o de Mussurunga resguarda uma extensa área natural da capital”, ressalta Euler. 

Outro avanço da gestão foi a implantação do segundo Corredor Verde, na Rua Silveira Martins, no Cabula. Com 1,5 quilômetro de extensão, o trecho recebeu 109 árvores adultas de espécies de maior porte, como ipê, pau-ferro, sibipiruna, mirindiba, oiti e quaresmeira. 

Microflorestas e viveiros – A segunda microfloresta urbana de Salvador também foi implantada em setembro, na área entre os viadutos da Avenida ACM, nas proximidades do Shopping da Bahia. O terreno recebeu 3.610 mudas de espécies da Mata Atlântica, distribuídas por meio de um sistema de alta densidade. 

“Era um espaço impermeabilizado, que agora passa a permitir maior infiltração da água da chuva. A microfloresta também ajuda a reduzir a temperatura, qualificar o ambiente e favorecer a biodiversidade”, aponta o secretário. Esse tipo de formação reúne várias espécies de maneira adensada, acelerando o desenvolvimento da vegetação. O método auxilia ainda na recuperação do solo, na captura de carbono e enfrentamento às ilhas de calor.

Além disso, no último dia 18 de setembro, a Prefeitura inaugurou o segundo Viveiro de Restinga da capital baiana, perto do Centro de Convenções de Salvador, na orla da Boca do Rio. Na primeira etapa, a unidade recebeu 515 mudas produzidas no viveiro-matriz, situado na Praia do Flamengo. 

Lá, as plantas permanecerão aproximadamente seis meses em processo de rustificação para se adaptar à salinidade, aos ventos e demais condições do litoral. Após essa etapa, serão transferidas para recomposição da flora costeira em outras áreas.

Formado por espécies nativas, o viveiro integra o projeto de restauração da restinga soteropolitana. Essa vegetação exerce papel essencial na proteção da faixa litorânea, por contribuir para a fixação da areia, amenizar os impactos da erosão e favorecer a conservação da fauna e da flora. 

As intervenções do mês chegaram ainda à Barroquinha e Baixa dos Sapateiros, onde foram inseridas 21 árvores da Mata Atlântica. Sete ficaram no Terminal Aquidabã e outras 14 no Terminal da Barroquinha. O serviço alia requalificação urbana à arborização, no âmbito do Programa de Restauração de Fachadas. 

Recentemente, o Passeio Público também recebeu serviços de paisagismo e exemplares de oiti e pau-brasil.

Reconhecimento internacional – As políticas sustentáveis adotadas pelo município ganharam destaque mundial em 2026. Salvador recebeu um Certificado de Mérito no AIPH World Green City Awards, uma das principais premiações dedicadas a projetos que utilizam a natureza como elemento estratégico do planejamento e da gestão urbana. 

A revitalização do Jardim Botânico Municipal foi reconhecida na categoria “Vida Sustentável em prol da Biodiversidade e da Restauração dos Ecossistemas Urbanos”. Promovida pela Associação Internacional de Produtores Horticulturais (AIPH), a premiação valoriza projetos públicos que tornam os centros urbanos mais habitáveis, resilientes e sustentáveis.

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