Bahia Brasil
quarta-feira 17 de junho de 2026

Novo tarifaço pode impactar um terço das exportações brasileiras, diz CNI

Taxas somarão 37,5%, aumento de 27,5 pontos percentuais diante de tarifa atual de 10%

Caso as novas tarifas de 25% propostas pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) no início deste mês entrem em vigor, um terço das exportações brasileiras será impactado por taxas de 37,5%, segundo projeções realizadas pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). 

Esse número representa 27,5 pontos percentuais a mais do que a tarifa atual de 10%. O restante das exportações, cerca de 3,6%, teria um aumento de 2,5% diante da taxa atual.

Há poucas semanas, o escritório comercial dos EUA propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, exceto para mercadorias que se enquadram como “sujeitas às tarifas de segurança nacional”. 

O órgão afirma ter determinado que as políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, certas tarifas e desmatamento ilegal são passíveis de ação judicial nos termos da chamada Seção 301 da Lei – ferramenta de política comercial que permite aos americanos investigar e retaliar contra outras nações por práticas comerciais consideradas injustas.

Simultaneamente, uma investigação sobre trabalho forçado em quase 90 países foi concluída, com o Brasil presente entre as nações investigadas. Segundo o USTR, esses países não adotam ou não aplicam, de forma efetiva, restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

Nesse caso, a proposta é a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5%. Quando as duas medidas incidem sobre os produtos brasileiros exportados, a tarifa adicional total pode alcançar 37,5%. 

“A eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo”, afirma, Ricardo Alban, presidente da CNI.

Foto: REUTERS/Jorge Silva

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